Sei que palavrão – ou palavras eróticas, depende do contexto – costuma ser escrito como se fala, etc. Que é linguagem coloquial, portanto com mais liberdade de grafia. Tudo bem. Mas, só pra ser pentelho, vou falar um pouco do assunto.
Um dos termos que mais se escreve errado é a boceta. Isso mesmo, com “o”. Encontrei até um post que pergunta se é buceta ou boceta, e dá uma explicação poética. Talvez por causa da proximidade – “geográfica” e fonética – com a BUnda, o brasileiro prefira a BUceta.

Boceta também é arte.
Gosto de ambas, a bunda e a boceta… O dicionário informal apresenta as diversas acepções de boceta, que, em síntese, é uma caixinha. O Aurélio faz uma citação literária muito hilária: “Bocetas atochadas de pastilhas e docinhos perfumados” (hmmmm! quero, quero), texto de Fialho d’Almeida, Lisboa Galante, p. 85. Menciona ainda a boceta de Pandora, “a origem de todos os males” (tudo bem, mas também é a cura para muitos males… rsrs).

Placa indicando o caminho para Bucetas, cidade portuguesa famosa por seus atrativos turísticos.
A confusão (troca do “o” pelo “u”) pode ter começado quando o latim vulgar buxis passou pelo occitano (língua falada no Languedoc, que significa justamente “língua de oc”) boissa (de onde a nossa bolsa) e depois sofreu a influência do espanhol bujeta, buxeta ou bucheta, “frasco de perfumes” ou “caixa que guarda” [esse frasco]. Em espanhol, a palavra tem origem na árvore com que comumente era feita essa caixa: o buj, ou buxinho, em português, onde também se chama – aha! – “árvore da caixa”. Em inglês, chama-se exatamente boxwood.
Ah- uma das coisas que se guarda numa boceta é rapé ou fumo (que é um dos apelidos portugueses do… guess what? pênis!)
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À esquerda, uma buseta em San José, Costa Rica. Não sei se já estava lotada.
Para complicar ainda mais as coisas, ponto de ônibus em certos países sulamericanos é paradero de busetas.
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